Fontes de energia mais baratas e sustentáveis se tornam opção em Uberaba

Painéis fotovoltaicos e até lâmpadas de garrafa pet são alternativas.

Em tempos de contas de energia elétrica caras, fontes alternativas de energia têm se tornado opção em Uberaba. Exemplos disso são as placas fotovoltaicas, e até a “lâmpada de Moser”, feita de garrafa pet.

Na cidade, assim como na maior parte do Brasil, a principal energia gerada vem de usinas hidrelétricas. Porém, a energia fotovoltaica vem ganhando espaço: para outubro está prevista o início das obras de implantação de duas usinas solares, cada uma com produção estimada de 813.471 kWh/mês de energia, e também está em andamento o projeto via Parceria Público-Privada (PPP) da construção de três usinas fotovoltaicas.

Outro exemplo é que o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) implantou, neste ano, um projeto-piloto de geração de energia solar. Ao todo, foram 15 placas fotovoltaicas instaladas em uma área de laje impermeabilizada que convertem a energia solar ao mesmo padrão já utilizado na unidade hospitalar.

A geração de energia elétrica sempre provoca algum efeito na natureza, mas cada processo tem suas particularidades. Por isso, o G1 conversou com o doutor em Engenharia Elétrica e professor da UFTM Lucas Pires para explicar quais as vantagens e desvantagens desses dois tipos de fontes de energia, levando em conta não só a questão ambiental, mas também os custos e a viabilidade de cada técnica.

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Entenda como a geração de energia elétrica afeta o meio ambiente

Mais de 87% da energia gerada no Brasil vem de usinas hidrelétricas. Essa energia é gerada pela correnteza dos rios, que faz girar turbinas instaladas em quedas d’água. De modo geral, a tecnologia é considerada limpa, uma vez que praticamente não emite gases de efeito estufa, que fortalecem o aquecimento global.

O grande problema ambiental – e também social – causado pelas hidrelétricas é a necessidade de represar os rios. Vastas regiões são alagadas, o que provoca não só a retirada das populações humanas do local, como alterações no ecossistema.

“A água é um recurso natural, então, a matéria-prima para a geração de energia é de graça, o que é uma grande vantagem. A desvantagem é a necessidade de fazer, na maioria das usinas, a contenção de água, que traz diversos impactos, tanto ambientais, quanto econômicos”, explicou Pires.

Na região do Triângulo Mineiro, há quatro usinas hidrelétricas: Emborcação, Marimbondo, Nova Ponte e São Simão. Todas fazem parte do subsistema Sudeste e Centro-Oeste, que são as duas regiões responsáveis por cerca de 70% de toda a energia produzida no país.

Os painéis fotovoltaicos são feitos de materiais semicondutores à base de silício. Quando recebem radiação solar, liberam elétrons e geram energia.

Os principais fatores que têm puxado o acelerado crescimento das pequenas instalações de energia solar em residências, comércios e indústrias são a disparada das tarifas de energia nos últimos anos e a significativa queda nos preços dos equipamentos de geração, a maior parte importada da China. Em 2018, o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia afirmou que a economia com a conta de luz pode chegar a 90%.

O engenheiro eletricista Lucas Pires lembrou que a luz solar, assim como a água, é uma fonte gratuita, entretanto, é uma fonte inesgotável de energia na escala do tempo terrestre. A desvantagem dos painéis fotovoltaicos ainda é o custo.

“Para implementar o sistema de energia fotovoltaica, é necessário trazer tecnologias estrangeiras. Por mais que existam medidas governamentais, que auxiliam na redução de impostos e na facilidade de financiamentos, acaba que ainda tem um custo alto para instalação. Porém, essa ‘desvantagem’, a cada dia tem ficado menor, porque, a medida que o sistema tende a se popularizar, os custos vão reduzindo, ou seja, ficam mais baratos”, explicou.

Pires também acrescentou que 2018 foi um ano que houve, praticamente, uma equivalência entre o custo de geração de fontes hidrelétricas e usinas fotovoltaicas. “As duas já começaram a ser consideradas energias baratas”, disse o professor.

Atualmente, a bandeira tarifária em vigor é a vermelha, patamar 1, o que significa uma cobrança extra de R$ 4 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), setembro é um mês típico do final da estação seca nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Ainda de acordo com a Aneel, esse cenário provoca a manutenção de parcela relevante da oferta de energia sendo atendida por meio de acionamento do parque termelétrico, o que influencia o valor do preço da energia e repercussão sobre os custos relacionados ao risco hidrológico.

“Acredito que o acesso à educação e à informação tem trazido bons resultados para a população na busca de economizar energia e na busca de outras fontes que sejam sustentáveis e menos impactantes para o meio ambiente e para o bolso, que ‘sente’ muito, principalmente nessa época de bandeira vermelha”, afirmou Lucas Pires.

Em vigor desde 2015, o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza o custo da energia gerada, possibilitando aos consumidores reduzir o consumo quando a energia está mais cara.

De acordo com o funcionamento das bandeiras tarifárias, as cores verde, amarela ou vermelha (nos patamares 1 e 2) indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração.

A bandeira verde significa que o custo está baixo e é coberto pela tarifa regular das distribuidoras, então não há cobrança extra na conta de luz. O acionamento das bandeiras amarela e vermelha representam um aumento do custo de produção de energia e, por isso, há cobrança na conta de luz. O aumento do custo de geração está ligado principalmente ao volume de chuvas e ao nível dos reservatórios.

O acionamento da bandeira implica em uma cobrança extra na conta de luz, valor que é usado para pagar pela geração de energia mais cara.

Antes do sistema de bandeiras, o custo da geração de energia mais cara já era cobrado do consumidor, mas com um ano de atraso. O sistema permitiu a cobrança mensal do valor e a possibilidade de avisar os consumidores que o custo da energia está mais caro, permitindo que eles reduzam o consumo.

Uma fonte barata e sustentável de energia que ainda continua sendo usada em Uberaba e outras partes do mundo é a “lâmpada de Moser”.

Criada em 2001 pelo mecânico Alfredo Moser, a lâmpada é uma garrafa pet com dois litros de água e duas tampinhas de água sanitária, servindo para iluminar cômodos escuros durante o dia, sem usar energia elétrica. Além de ajudar o meio ambiente, a iniciativa gera economia para quem utiliza.

Cada garrafa é encaixada num buraco no telhado, fazendo com que os raios do sol se refracionem e se espalhem no ambiente. O resultado é uma iluminação equivalente a uma lâmpada com potência entre entre 40 e 60 watts, dependendo da hora do dia e da posição do sol.

A invenção despretensiosa rendeu vários prêmios ao longo dos anos para Moser, que continua recebendo várias encomendas até hoje. Só no Parque das Américas, bairro onde ele mora, não é difícil encontrar casas que contam com as lâmpadas de garrafa pet.

É o caso da aposentada Lídia Araponga, de 81 anos. Ela utiliza as lâmpadas de Moser desde 2002 e, desde então, tem economizado muita energia elétrica.

“Ele tinha instalado casa da minha cunhada, que mora em frente. Aí vi na casa dela e pedi que ele também colocasse as lâmpadas de garrafa na minha casa. Economizo bastante energia, porque agora quase não preciso ligar mais lâmpada comum à noite, porque as garrafas iluminam bem”, contou.

A aposentada Guiomar Magalhães também foi uma das pessoas que apostou na ideia. Só na copa da casa dela, são 10 lâmpadas de garrafa, o que resultou em uma economia e tanto no final do mês. “Na primeira semana, foram colocadas quatro. Aí todo mundo ficou curioso para saber quem havia feito. Ele me ajudou porque o pessoal ia para minha casa fazer reuniões, mas estava escuro, e ele ficou com dó de mim”, comentou Guiomar em entrevista à TV Integração em 2017.

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